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Culpa na maternidade: saiba como lidar com esse desafio

Dra. Marina Mariz

Antes de entendermos como lidar com a culpa, é importante entendermos a origem e até o que significa sentir culpa. A culpa, teoricamente, vem da sensação de que somos responsáveis pelo bem-estar de todos ao nosso redor. Sendo assim, precisamos dar conta de manter todos bem e confortáveis. Sempre. Constantemente.

E se falharmos?

Bom, quem sente culpa, sente também que não há espaço para falhas.

Falhou - já era. Culpa no modo avançado.

Se algo ocorre e o que outro não está bem - culpa.

A mulher carrega uma carga enorme de culpa, desde o início da vida aqui na Terra. Fato é que a culpa parece já estar no nosso DNA de tanta pressão da sociedade que sempre sofremos, por gerações, em todas as fases das nossas vidas. E quando a mulher é mãe, essa culpa amplia numa dimensão inimaginável.

Sinto sempre que a mulher nasce também com um chip pronto para absorver a culpa do mundo, a culpa de existir e a culpa por manter todos bem - essa responsabilidade que parece nascer conosco, mas que é evidenciada social e culturalmente.

Neste breve artigo, falarei um pouco sobre essa culpa e também sobre algumas dicas de como deixar tudo mais leve, conforme possível, ao longo do processo de gestação. 

Por que você sente tanta culpa?

Dizem que “ser mãe é padecer no paraíso…”, mas será que essa frase é justa? Muito difundida na nossa cultura, essa ideia de que a maternidade tem estar atrelada ao sofrimento traz uma carga enorme à mulher, especialmente.

Parece que a mãe precisa sofrer. Precisa padecer, para então aproveitar o grande e profundo amor do filho. E parece, mais ainda, que a mãe precisa se culpar, se responsabilizando por tudo e todos ao mesmo tempo.

Se a criança tem uma complicação na gestação ou no desenvolvimento, então, isso acaba levando a uma culpa interior que só quem é mãe sabe. Ela nos invade, não é assim?

Sendo assim, sentimos culpa porque aprendemos que somos responsáveis por tudo e por controlar tudo. Caso algo dê “errado”, claro, cabe a nós nos culparmos e arrumarmos tudo.

Como lidar com a maternidade de uma forma mais leve?

Mãe, eu quero te falar uma coisa do fundo do meu coração: você não tem culpa de nada, nem mesmo de se culpar. Você não poderia fazer diferente do que foi e é feito. Só de ser mulher, você já é magnífica.

E para te ajudar, aqui vão algumas dicas para lidar com a culpa na maternidade:

  1. Não dê importância aos “pitacos” de pessoas alheias. Escute seu coração e apenas as pessoas em quem confia. (Mas seu coração ainda tem sempre a razão).
  2. Escolha um médico em quem você confia e com o qual você se identifica. Na dúvida, siga o que ele fala. Muitos médicos têm visões diferentes. Siga as instruções do médico que você escolheu. 
  3. Tente ser leve: sua criança engasgou? Acontece! Caiu? Você não pode estar grudada o tempo inteiro! Esqueceu o lanche da escola? Tudo bem, você vai dar um jeito. Com fome, ela não vai ficar! 
  4. Crie seu próprio mantra: na hora que falarem na sua cabeça ou a culpa invadir seu coração, repita na sua mente: “eu sou uma ótima mãe e faço sempre o meu melhor”. 
  5. E não se esqueça: Culpa significa se sentir responsável por um dano. E a culpa é consequência de uma sobrecarga absurda. Portanto avalie sua proporção quando ela bater na nossa porta.

E olhe só: lidar com a culpa também traz enorme e profunda ansiedade. No blog temos também algumas dicas de como lidar com a ansiedade na maternidade. Não deixe de ler.

Substitua pequenos pensamentos e voe mais longe.

Algumas frases são poderosas e te ajudarão a levar a maternidade de uma forma mais leve. Ao invés de dizer “Eu errei, sou uma péssima mãe!”, diga “Eu estou aprendendo a ser mãe e fazendo meu melhor”. Ao invés de dizer “Eu sou muito burra, meu filho ou filha vai me odiar”, diga “Eu sou a melhor mãe que posso ser e tudo o que o meu filho ou filha precisa”.

Agora, se por acaso, a culpa lhe invadir, desejo fortemente que você não deixe ela permanecer muito tempo em seu coração e que seus pequenos erros (que acontecem e são parte da jornada ao longo de nossa vida inteira!) não sejam uma régua para medir o seu valor como mãe, combinado?

Forte abraço e caminhemos juntas sempre!

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Marque sua consulta agora.

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